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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

POEMA: Homenagem aos Pais





Amanhece  a vida.
Chega  a minha consciência.
Torceste para ser longo, o meu dia de existência.
Tudo era novidade.
Não sabia, claramente, se estava diante de um homem,
ou na presença de Deus.
As horas vão passando, e aprendo a reconhecer.
Fico surpreso !
Não és, apenas, um homem.

Também,  não és Deus.
És o meu pai. O meu sagrado pai !
Aquele que mostrou os meus caminhos, desviou-me
dos espinhos, procurou fazer-me feliz.
Ensinou-me tudo, acerca da vida, e a todos amar.

Hoje sei  distinguir o bem do mal, o certo do errado...
e continuo sendo amado, ainda que não estejas mais
aqui.
Tuas profundas pegadas, teu sorriso e o teu afago,
fazem parte do meu ser.

Todo o teu amor, transferiste para mim.
As lembranças que carrego, desde os tempos de
criança, são frutos do teu viver._ 

O suor da tua face, mistura-se  às lágrimas  que dos meus
olhos rolam, com a cor da felicidade, e o sabor da saudade.
Desculpa-me por minha existência  haver exigido tanto de ti...
Agora, aceita meu beijo, no rosto ou  na alma, neste teu dia,

tão merecidamente festivo.
Bendito seja Deus, que me permitiu ser o teu filho, querido pai !
 Sinval Silveira

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Conto Poético : O VELHO E A MOCHILA




Um velho homem, já cansado de andar e
sem destino, sentou-se ao "meio fio" da 
calçada, frente a minha morada.
Ofereci-lhe água fresca e uma cadeira
confortável, à sombra ventilada de um   
cajueiro perfumado.  
Seus pés descalços, quase em chagas,
pediam socorro. Não aguentavam  mais
o chão abrasivo.
Ofertei-lhe banheiro, uma muda de roupas
limpas,  calçados e refeição do meio dia...
Foi grande a transformação !
Notei, ali, um homem  desprovido de   
ambição e  educado, mas  magoado com 
a vida, ou com alguém.
Espontaneamente,  satisfez a minha 
curiosidade, ao mostrar o que trazia em sua
mochila.
Quase nada havia, além de recordações,
fotografias, bilhetes e muita saudade de um
passado, que não se despede do presente...
Migalhas  de pão, que colheu no seu trajeto 
sem fim,  negavam-se abandonar as poucas
 quinquilharias que carregava.
Ao apertar minha mão, emocionado  pela
gratidão,  disse-me:
" Esta mochila não pode carregar muitas
 coisas materiais.
É o  depósito do meu  universo imaginário,
da eterna saudade que transborda os limites do coração.
Nela,  deposito os versos que componho, sem 
escrever uma só letra... "
Foi embora, deixando-me um largo sorriso, sem 
dentes, mas uma alma transparente querendo

ficar. 
E, em sua mochila encantada  levou 
 a minha saudade, com vontade de querer voltar !
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 26 de julho de 2017

UM POEMA PARA STEFANNY



Silenciosa, parecendo flutuar, cuidando deste
  sono agitado, zela  pelo meu  corpo, como 
se  nunca houvesse  pecado. 
Minha vida em suas mãos...
São delicadas e  puras, trazendo a  ternura de 
que tanto  careço.
Inocente, me faz lembrar  alguém  que  me  amou, 
profundamente, mesmo antes  de  haver nascido...
Com gestos  educados, se aproxima   do
  meu leito, me deixando sem jeito !
É muito carinho e me sinto um frágil  
passarinho,  acolhido em seu ninho.
Minha sobre vida, agora, depende 
 deste  anjo, vestido de branco, parecendo
   flores do  campo  espargindo
 perfume  na  primavera !
Adoro ouvir a sua voz, soando 
como uma  suave
canção, deixando feliz o  meu   coração,  
precipitando a minha  recuperação.

Sinval Santos da Silveira,
para:  Stefanny Lopes.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Poema: AS PEDRAS QUE ME ATIRARAM



Estão nos porões do  esquecimento, excluídas
da minh´alma, as pedras que me atiraram.
São  de todos os tamanhos.
Injúria, traição e calúnia...
Todas tem sua história.
Em cada  uma,  faço uma leitura  da  sua razão.
Algumas  injustas,  outras nem tanto.
Corrigi as minhas falhas mas não devolvi, sequer 
uma  delas, ao  atirador, esperando que o
 tempo, imparcial  julgador, responda por mim.
A cada abraço que recebo, pedindo
 perdão, fortaleço o meu coração !
Minha  trincheira foi construída de bondade,
e por nenhuma maldade pode ser  atingida.
Nas  pedras  recolhidas, sinto 
 a felicidade se aproximar da minha vida !
Consigo  compreender as amarguras 
alheias, acolhendo o perdão em meus 
 sentimentos !
Neles, só há espaço para amor, jamais 
para ódio, vingança  ou  rancor.
Liberto as  emoções e  reforço as muralhas
 de proteção, transformando tudo
 numa fortaleza de paixão !  

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Poema: A FACE MISTERIOSA

 

Quantas confissões eu fiz !
Falei  verdades  em nome de um grande  
amor, que jamais pensei  ter fim.
Em minhas lágrimas não acreditou  e,
zombando dos meus olhos molhados, me fez  sofrer.  
Arrastei-me, beijando  seus pés  num
 gesto de mendicância...
Agora, arcanos motivos dividem um caminhar
que  foi  tão unido. 
Intransponíveis abismos surgiram,  dando
lugar ao silêncio de um vazio mortal. 
E  a maldade ocupou o espaço da doce saudade,
matando as flores de um  jardim, com 
perfume de felicidade.
Nem o canto  dos passarinhos  restou.
Emudeceram...
E do luar do outono, somente as 
trevas sobreviveram.
E tudo mudou...
Hoje, não sei  mais o que é saudade e, por
 ironia do destino, nem falta  me faz.
Passou a dor aguda do peito,  nascendo um   
novo  jeito da vida recomeçar.
A esperança, em  viçosa brotação, manda 
recados ao coração,  mostrando  a face 
misteriosa de uma nova e ardente paixão !
 
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Poema: UM GRANDE SEGREDO A DOIS






Naquele "momento mágico", nada
 conseguiste falar.
As lágrimas disseram por ti.
Venha  aos  meus braços !
Aqui, encontrarás a felicidade que  tanto 
procuras.
Nada exigirei em troca, porque tu és o troco
que a vida, generosa,  me ofertou.
Teu passado de sofrimento, prometo, cairá
 no  esquecimento,  dando lugar a um lindo renascer !
Vou transferir tudo que de bom existe em 
mim, para ouvir tua alma cantar e sorrir !
Em teu pranto, não  haverá mais espanto
 e serão lágrimas  sorridentes,  brilhando
 os teus lindos olhos  na emoção do  amor.
Teu céu será o meu céu, num espelho de luz
e de ternura, sem as amarguras que 
o destino sentenciou. 
Agora,  és  parte de uma fusão de
 almas, sonhada a dois,  na privacidade
 dos segredos  e mistérios,  testemunhados 
pelo silêncio do Universo,  em nome
  de um grande amor !

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Poema: A RESSURREIÇÃO DE JUDAS ISCARIOTES




Trinta Dinários pela morte de Jesus Cristo.
Judas, traidor dos Apóstolos.
Dissipou-se a cortina,  libertou-se Barrabás.
Pilatos lavou as mãos no sangue do  satanás. 
Dois mil anos se passaram...
Um sorriso falso,  uma mentira no coração e uma
 Nação traída, dominada pela ambição.
Maldade, como ervas daninhas, gotejam nas
noites e nos dias.
O descrédito é  geral.
Menos mal ! 
O povo acordou, antes do  juízo final.
Duzentos milhões iludidos, na revolta da 
enganação, assistem, no
 teatro macabro, a diabólica encenação.
Bandidos  travestidos de
 políticos,  corrompem, até, quem o
malhete  tem na mão.
Roubam tudo, sem o peso da consciência,
colocando a culpa na previdência...
Judas Iscariotes  ressuscitou das profundezas
 do inferno, virou santo
 e reencarnou na corrupção  
desta  Nação !
 
Sinval Santos da Silveira

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Poema: Olga

Canta e lindamente  encanta !
Declama lindos versos,  com sabor de
saudade...
A plateia emudece,  prestando atenção  nas palavras que brotam 
do coração, parecendo 
uma prece  !
Seu  delicado corpo em gigante se transforma,   na cumplicidade 
 do  velho violeiro que, de emoção,  faz soluçar a alma !
Sua voz ecoa nos  corredores dos sentimentos alheios, amansando
 o homem  arisco  e comovendo quem de emoção  é desprovido.
Seus olhos brilhantes, plantam paixão e colhem poesia !
Fala da vida  num temporal de histórias, com a  grandeza da
  guerreira que luta pela paz.
Emerge, do  fundo das suas entranhas, uma força tão
 misteriosa  quanto a vida lhe  foi adversa.
Não desistiu.
Das ameaças, sorriu.
Fez amigos,  lindos filhos pariu,  ama e é amada !
Canta alto  para dizer ao mundo que está aqui.
Escreve forte, resistindo aos abrasivos do tempo
 que tenta, em vão, sufocar o seu teimoso coração.
E  na forja da natureza,  ressurge  OLGA !

( Homenagem  à colega Poetisa, Senhora
Olga Postal, do Grupo de Poetas da Trindade )



quarta-feira, 14 de junho de 2017

Poema: A FORÇA DE UM NOVO OLHAR





Carinhosamente entrelaçadas, numa fusão
de intenso  calor... duas mãos... e tudo mais.
À sombra da vida, um homem  observa.
Nada mais pode fazer, além de  cantar, 
tristemente, a canção do lamento.
Entre as letras do seu canto, cantado a sós,
a tônica do pranto embarga sua voz.
Não consegue sair do primeiro verso, onde o 
pavor é perverso e somente ele sabe cantar.
Nada mais enxerga a sua frente, e do passado nem 
quer se lembrar.
Ainda procura, nas flores dos campos, o perfume
 do amor que partiu, sem dizer Adeus.
Sequer  para trás olhou. 
Tem medo de enxergar quem pelas costas 
o punhal lhe cravou.
Hoje,  prefere sorrir  da  vida, silenciar 
 as tristes canções 
 que cantou, e adoçar o pranto amargo que 
derramou, com o olhar carinhoso
 de um novo amor...


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Conto poético: O GUARDIÃO



No meio da neblina congelante, uma figura elegante, embora parecendo um
 espectro de aparência sinistra.
Dentro do pesado "pala", um homem cumpre a sua missão.
Calado, atento e observador, é o seu perfil
de servidor,  um "Guardião" do patrimônio da Nação.
À  cintura, orgulhosamente,  ostenta seu trabuco
 porteado, até a boca carregado, pronto para berrar, desfrutando
 da fama de bom atirador.
Vigia da noite, senhor da madrugada, honra a confiança em si depositada.
"Fechado o portão, nada entra ou sai sem autorização".
Este foi o seu  lema, juramento  de lealdade,
cumprido ao longo dos  35 anos de exemplar trabalho, prestado ao Governo.
Disse-me:
"Tive  as chaves de todas as dependências.
São bens do povo, adquiridos com dinheiro de impostos".
Já aposentado, conta  muitas histórias vividas. 
Está  decepcionado com  as notícias  que  
circulam  no País. É roubo para todo lado.
Seus superiores,  que tanto zelo  lhe cobraram, de
  muitos crimes  são acusados.
Enalteci  o seu trabalho e externei minha 
admiração  por sua dedicação.
Fiquei  meditando sobre  a conduta daquele
 homem, em relação a alguns governantes.
Aquele, sempre merecerá  o meu respeito.
Quanto aos ouros... não creio que desfrutem 
da paz que percebi nos olhos do Senhor Godoy, no orgulho que
 sentem os seus filhos e esposa, e no conceito  que desfruta 
junto aos seus amigos.
Um  modesto "Guardião" , agora, observando  e
 criticando a ética e a moral  
dos altos governantes da  Nação !

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Poema: O DESEMBARQUE


Sorrisos e lágrimas dominam  meu mundo.
Sentimentos que se negam  morrer.
Nadam na dor, respirando saudade de uma
felicidade  que pertence ao passado.
A  parada do desembarque é cruel...
Dúvidas se agarram  nas escorregadias encostas 
da vida, abrindo feridas que não  conseguem cicatrizar.
Preciso ir embora, sem demora...  fugir. 
Mas, para onde, se nem  mesmo  sei de onde 
vim ?
Daquele olhar traiçoeiro, tento minha  dignidade 
salvar.
Por paixão, coloquei em risco minha reputação, sendo
 desprezado e, por maldade, humilhado.
Finalmente, as  amarras  desatei.
Consegui estancar o pranto e  acalmar o
desencanto, enxergando o caminho a seguir.
O desembarque ficou na curva da longa estrada, cada vez
 mais distante e sem  despedida !
Na bagagem, apenas  lembranças, doces  e 
amargas lembranças ...
 
Sinval Santos da Silveira




quarta-feira, 24 de maio de 2017

Conto poético: Confidencias Restritas




"Não me importo com os nomes, endereços 
ou o que fazem, embora insistam em  tudo  
me  contar.
Minha conversa é restrita, pois tento ser
artista  na arte de representar.
Mas não vivo de aplausos e sorrisos...
Conto os minutos  para o espetáculo 
terminar. 
Tenho contas a prestar.
Há dias  em que  enfrento  filas. 
outros, nem tanto.
Meu céu não tem cor, deuses ou santos.
Os castigos e milagres, sou eu mesma 
quem dou.
Não há sonhos. Foram desfeitos...
Os sorrisos, também, são encomendados.
Sou uma vendedora  de fantasias, com a 
decoração que o cliente  desejar.
Achas que tenho duas caras ?
Não !
Tenho  muitas, uma para cada  lugar.
Faço o amor acontecer, sem  amar, do 
anoitecer ao amanhecer.
Não conheces o meu  mundo, moço ! 
O teu, sei como é. "
Dito isto, atendeu a um novo chamado e, 
num caminhar  elegante e apressado,  
sumiu na multidão.
Esqueci de perguntar o seu nome, mas já
a vi em alguma  esquina da vida...
São todas  parecidas, mas  diferentes criaturas,  vendendo
 amor com ternura, fazendo  a vida  acontecer
 e da amargura esquecer !
Sinval Santos da Silveira

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Conto poético: SALVE-SE QUEM PUDER


Bandido aprendeu: matar e roubar,  não 
 são crimes nem pecados.
Tudo isto foi, pelo homem,  inventado.
Pode estar equivocado, ou é coisa do passado.
Agora, a moda é outra...
Quem condenou, está sendo condenado.
Roubou demasiado.
Uma vergonha sem precedente, pois  
ex presidente de ladrão está rotulado.
É roubo para todo lado.
Até  "Ali Babá"   foi humilhado.
Seus  40 ladrões  traíram o chefe e entregaram 
a senha:  " abre-te Sésamo " .   
A caverna se abriu, a polícia invadiu e 
 o mistério foi desvendado.
A culpa é de uma mulher que já morreu...
Ufa ! 
Que alívio, pois o povo imaginava que o  grande
culpado fosse um homem
 malvado, um " cara de pau",  safado
 e outros predicados.
Que  injúria, coitado !
Salve-se, quem puder !
 
Sinval Santos da Silveira



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Conto Poético: OS PORÕES DO INFERNO


Quartos escuros, abafados.
Portas e janelas trancadas.
Desconforto. Sair, só morto.
Gente, muita gente. 
Higiene, nem pensar. 
Odor,  insuportável...
Vidas humanas em risco.
Gritos na madrugada, pesadelos sem fim.
Consciências culpadas, arrependimento
tardio.
Olhos  atentos que vigiam dia e noite.
Ameaças sem limites.
É o império do medo.
Gargalhadas  mascaram  a  tristeza.
Sonhar não é permitido,  nem dormir para descansar.
Os porões do inferno residem  naquele 
lugar.
O olheiro, um carcereiro, que não é Deus 
mas é dono da  vida e da  morte, que terá 
muita sorte se vivo sair de lá.
Nenhum amigo fará.
Viverá o restante dos seus dias, contando 
histórias  sem alegria,  esquecido do amor
que reside no lado de  fora...
 
Sinval Santos da Silveira